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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Presente, Passado e Futuro


Notas-relâmpago que me interessaram...


PRESENTE

Two Cold Fingers: devido a diversas reclamações quanto a dores de cabeça, manchas na vista, ataques epiléticos e espumação pelos olhos, resolvemos que ja era hora de mudar o fundo caótico do nosso blog. Colocamos esse layout básico apenas provisoriamente, enquanto não encontramos nada melhor. Mas é claro que esperamos a opinião dos nossos fiéis (ou não) leitores!! E como diria o Jemaine, do Flight of the Conchords, "sejam contrutivos com o feedback, por favor" (o que? ainda não seguiram a dica da Renatinha no post anterior?? o.O)!


PASSADO

MJ: e como não podia deixar de ser, o funeral do Michael Jackson foi a mais óbvia tradução de CIRCO! Seja pelos vários MESTRES DE CERIMÔNIA(inclusive gente que mal conhecia o cantor), seja pela ILUSÃO das lágrimas nos rostos de gente que, desculpem a linguagem, cagavam e andavam para o defunto (principalmente seus irmãos, que não gostavam do Michael, não gostam um do outro e, ainda assim, estavam la sentados lado a lado, como uma boa família) ou seja simplesmente pela PALHAÇADA que foi tornar a morte de alguém um espetáculo. E agora o vovô Jackson, o mesmo que espancava os filhos a cada ensaio do Jackson 5, diz que quer montar uma banda com os herdeiros do Michael. Todo circo tem sua cota de tragédia...


FUTURO

Lançamentos: o que mais me empolga é o terceiro álbum do Arctic Monkeys, oficialmente no dia 24 de agosto (e dia 19 no japão... malditos japoneses), mas ao que parece, em algum momento entre setembro e novembro o vocal do Strokes Julian Casablancas vai mostrar o que fez no hiato do grupo e lançar seu primeiro álbum solo, chamado "Phrazes for the Young", que eu... simplesmente não sei o que esperar. Ah, e o Mutantes lança, depois de 35 anos, seu primeiro álbum de inéditas, chamado "Haih"... mas agora a banda só conta com o Sérgio Dias de sua formação original, sem Arnaldo Baptista e Rita Lee. Então, pode ser o melhor álbum possivel, mas não é Mutantes, e nunca será Mutantes.

Shows: não contentes em terem tirado boa parte da minha grana no primeiro semestre, agora ainda teremos Faith No More dia 7 de novembro (com grandes chances de coincidir com o Festival Planeta Terra), Little Joy dia 15 de agosto na Via Funchal com a formação completa (sim, incluindo o Fab Moretti) e, ao que tudo indica, ainda teremos Killers no final do ano, possivelmente em novembro (é o que dizem os blogueiros de plantão). Resumindo, é bom eu encontrar um emprego logo...

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Post 2 em 1.


Preciso ser sincera que quando me mandaram, faz um bom tempo, o video deles na internet, eu nem dei MUITA atenção... Ouvi, não prestei atenção na letra achei bacaninha mas... morreu ali.
O pessoal começou a comentar, falaram e eu não prestei atenção e nem corri atrás.

Só que bastou um fim-de-semana em Campinas para tudo mudar! *música de efeito*
Um sábado chuvoso e um dvd com episódios da série deles na HBO mudaram tudo.
Sim, série.
Sim, vou falar de uma série de tv.
Eu sei que é um blog de música, mas aguardem e confiem.

A série Flight of the Conchords (que também é o nome da banda) é sobre 2 neo-zelandeses que vão para os EUA tentar a fama.
Quem eles são de verdade? Bret McKenzie e Jemaine Clement, pasmem... 2 neo-zelandeses.
E o seriado é basicamente isso. Eles tem amigos estranhos, uma fã estranha (é, só UMA) e um empresario estranho. A temática não te chamou muito a atenção né?! E se eu disser que a maior parte das cenas consiste nos 2 cantando composições absurdamente divertidas e com melodias muito boas?
Se você gosta de música, de humor e de séries, pronto. Essa séria é pra você...

Mas a carreira desses dois não começou na televisão.
Na verdade, antes da televisão, teve um programa de rádio na BBC e antes disso eram só uma dupla musical.
No Neozealand Music Awards de 2008, ganharam de melhor grupo e álbum do ano. Ok... na NZ não deve ter uma graaaaaaaande concorrência, mas no Grammmy de 2007 ganharam de melhor álbum de humor e em 2006 foram premiados pela série de rádio.

Bom, fica aí minha dica musical e televisiva.

Minha música preferida dos 4 episódios que assisti (dica, a graça é prestar atenção nas letras também):

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

E a Nova do Arctic Monkeys, Hein??

É isso aí, quem disse que só a Renatinha pode falar de Arctic Monkeys por aqui??
(na verdade, foi ela mesma que falou isso... só espero que ela não fique muito brava...!)

Bom, para quem não sabe, a banda do Alex lançou na terça-feira a primeira música do seu terceiro álbum, o Humbug.
A música, chamada Crying Lightning, vc pode ouvir no MySpace da banda clicando AQUI, ou fazer que nem eu (um analfabeto digital assumido) e ouvir no YouTube clicando bem AQUI!!!

Segundo o sr Turner, essa foi considerada pela banda a música mais significativa do disco, além de ser a preferida deles durante a gravação.
Ainda segundo ele, "gostamos muito de fazer Humbug, mais do que nossos dois álbuns anteriores. Realmente sentimos que estamos chegando em algum lugar".

Bom... primeiras impressões!
Queria antes informar que não sou daqueles que saem correndo atrás das músicas antes do álbum ser lançado, então não sei muito das outras faixas do novo álbum (a não ser algumas ao vivo que a Renatinha me mostrou, mas considerando a porcaria de memória que eu tenho, prefiro relevar).
Vou ser sincero: já escutei a música pelo menos umas 5 vezes desde que comecei este post, tentando formar uma opinião própria... mas ta difícil.
É estranho, o começo de Crying Lightning não me lembra em nada o Arctic Monkeys. Aliás, lembra muita coisa, MENOS Arctic Monkeys. Mas, ainda assim, no decorrer da música, é impossível não perceber várias características da banda.
O crescente da música é muito bacana, as guitarras estão perfeitamente produzidas, colocadas no lugar certo, o vocal do Alex está tão diferente e, ao mesmo tempo, tão igual. E a letra só serve para reafirmar o lugar do Alex entre os melhores compositores britânicos dessa nova leva.

Mas, ainda assim...
Podem me chamar de nostálgico, mas sinto falta de coisas como "Mardy Bum", ou "I Bet You Look Good on the Dancefloor", ou "A Certain Romance".
Não me levem a mal, eu também adoro o segundo álbum dos caras... mas faz faltas aquelas músicas que não eram tão complexas e "elaboradas", digamos assim.
Acho legal que eles estejam crescendo musicalmente, mas espero que eles não deixem pra trás músicas mais simples que servem, principalmente, para empolgar o público.
E se o novo álbum tiver algo do nível de "Fluorescent Adolescent", já me darei por satisfeito!!!

Bom, acho que é esperar pra ver.
O Humbug será lançado dia 24 de agosto.
E podem ter certeza que a equipe Two Cold Fingers sairá na mão pra saber quem escreverá sobre ele!!! =P

Domingo, 5 de Julho de 2009

Mamona-na-na-nas Assassina-na-na-nas!


Semana passada perdemos um cara que mudou como víamos a música mundial, mas há 13 anos nós perdemos 5 caras que mudaram o jeito como víamos a música brasileira.

Nesse último sábado pré-estreiou "Mamonas Assassinas - O Doc" em Guarulhos, cidade dos moços e essa estréia me lembrou o que faz falta aqui um texto sobre eles, que fizeram em tão pouco tempo o que muitos não conseguem em décadas.

Eu não lembro como foi a primeira vez que ouvi, só sei que foi um dos primeiros cds que pedi para minha mãe me comprar.
Não tinha como não gostar, ainda mais se você era criança ou adolescente.
As melodias divertidas combinadas com as letras de bricalhonas conquistaram o Brasil inteiro, mesmo Brasil da Bossa Nova, do banquinho e violão, música de protesto,... Aquele país se curvou diante de 5 garotos que encaravam música como piada.
Mas não faziam de qualquer jeito, faziam MUITO BEM.

Foram em mais programs de televisão que consigo lembrar, saíram em mais revistas do que qualquer banda brasileira, tiveram um espaço inimaginável. Até por não se limitarem a queridinha das bandas, a MTV... Eles íam no Gugu, no Faustão e no Raul Gil sem medo de caírem num rótulo brega, aliás, querendo aumentar uma fama brega, mas fazendo um rock de qualidade.

Mas em 2 de março de 1996, um acidente de avião os levou justamente no auge de sua fama... Eles se preparavam para emplacar o começo da carreira internacional.

Existem muitos que dizem que se eles não tivessem morrido não teriam conseguido manter a qualidade da música e das piadas em um segundo cd e estavam fadados ao fracasso, mas nada mudaria o fato de que eles mudaram muita coisa, de que eles mostraram para todo mundo que a música pode ser feita para se cantar e rir.
Sem contar que eu aposto que ao ler o nome deles ali no começo do texto alguma música deles te veio na cabeça, elas fazem parte da nossa geração.

A saudade poderemos matar com o Projeto Mamônico. O mesmo vai contar com o lançamento de um longa de ficção, um documentário, um site (pode clicar, amicko!) e dvd's.
O documentário, como eu disse já saiu nesse sábado mas ainda não entrou no circuito nacional e nem se sabe se vai entrar. O documentário nem estava originalmente nos planos, mas os criadores do londa de ficção disseram que reuniram tanta coisa enquanto pesquisavam para o mesmo, que sentiram necessidade de transformar isso em material também.

Se vocês forem de Guarulhos (Oi, Funny!) corram para assistir e se vocês forem do resto do Brasil cruzem os dedos para entrar nos cinemas de cá.

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Cuspindo No Prato.


Sei que não há mais muita coisa a ser dita...
Mas o mínimo que um blog sobre música pode fazer é dedicar alguns posts para o cara que literalmente mudou a música pop.
Aliás, o cara que literalmente CRIOU a música pop!!!

Michael Jackson foi o maior responsável por unir o rock e coisas como o soul e o funk. Unir uma música dominada por brancos e outra dominada por negros.
Mais que isso, Michael Jackson foi o responsável por unir o PÚBLICO branco e o PÚBLICO negro em um mesmo tipo musical!!
E assim criou-se a música pop!!

Não apenas a música pop, mas toda a cultura pop que conhecemos hoje.
Se hoje vemos um Justin Timberlake ou uma Britney Spears dançando exaustivamente em seus shows, é porque existiu um Michael Jackson.
Se hoje vemos todos os rappers ostentando a própria riqueza, é porque existiu um Michael Jackson.
Se hoje são os astros pops que criam as tendências de moda e comportamente, é porque existiu um Michael Jackson.
Se hoje nós vemos clipes musicais como uma forma de arte, é porque existiu um Michael Jackson.
Se hoje vemos negros na MTV (aliás, se hoje ainda EXISTE uma MTV), é porque existiu um Michael Jackson.

Ele não é apenas um cara excêntrico, ou um músico genial, ou um dançarino perfeccionista ou mesmo um artista completo.
Ele é simplesmente um dos artistas mais importantes e mais influentes de todos os tempos, não só na música, mas em diversos segmentos artísticos!
E espero que as gerações mais novas, que não viveram os anos 80 ou o início dos anos 90, saibam respeitar o legado que ele deixou, sem pensar nas polêmicas e sim na obra artística.

Triste pensar que, se tivemos tudo isso, é por causa de todo o abuso que Michael recebeu na infância, quando o pai - criador do grupo Jackson 5 - o espancava quando errava o passo de alguma música. Ou o humilhava e ofendia por ser quem ele era.
Triste que toda a mudança que Michael Jackson promoveu na música é responsabilidade direta do inferno que ele passou quando criança.
E, sabendo de tudo isso, será justo julga-lo por ser "extravagante"? Por não querer crescer e aproveitar a infância que nunca teve? Por se sentir tão mal no próprio corpo que preferiu se transformar em uma outra pessoa? Por preferir conviver com crianças ao invés dos adultos que sempre o fizeram tão mal? Podemos culpa-lo por ter uma doença de pele que a clareou, o obrigou a usar uma pesada maquiagem para esconder as manchas que surgiram e o afastou de suas origens?
Ele viveu uma vida que poucos de nós suportariam.

Nunca mais teremos um artista como Michael Jackson. Temos mais liberdade em escolher o que queremos ouvir, temos muito mais artistas espalhados, mais estilos musicais, uma mídia muito mais segmentada.
Ele foi único! E nós disperdiçamos tudo o que ele ainda podia ter sido por culpa de um preconceito bobo.

Nós julgamos Michael Jackson pelo que vimos sobre ele na mídia. Se saiu no jornal, ou num site qualquer da Internet, acaba virando verdade instantânea. Se alguém afirma que ele molestou sexualmente uma criança, não importa que todos os tribunais o julgaram inocente... ele sempre carregará o estigma de "pedófilo". A verdade não importa, a verdade é sem graça. É a polêmica que seduz!
Michael não destruiu a própria carreira. Pode pegar todos seus álbuns, TODOS eles têm músicas que se tornaram clássicos. Também não foi culpa de seus traumas de infância, ou seu estilo de vida exótico. Não, nada disso destruiu sua carreira.

Fomos NÓS que a destruimos.

Eu lembro quando ele veio fazer seu único show solo aqui no Brasil, pouco depois da primeira acusação de pedofilia. Um amigo meu fez uma piada maldosa, e eu só conseguia pensar "cara, como alguém pode falar mal de alguém como o Michael Jackson?".

Engraçado como isso acabou se tornando algo normal nos anos seguintes.

.

Domingo, 28 de Junho de 2009

Sim, mais um post sobre Michael Jackson.


Não me pergunte que ano era, só sei que ainda era comum comprar fitas K7.
Me lembro de estar sentada com meu irmão na beira da psicina (que hoje nem existe mais) lá de casa e olhar para a capa da tal fita.
Era a fita de Thriller.
Um Michael Jackson já desbotando deitado emanando um brilho (o Pavão ía gostar).

Como todo menininho 80's, meu irmão adorava o Michael.
E essa é a primeira lembrança que consegui puxar pela memória relacionada a ele.
Logo depois vem a dos meus tempo de jardim de infância, na minha classe tinha um garoto chamado Marquinhos. Ele imitava o Michael o dia inteirinho. Ele até lembrava o MJ em aparência e não dava um tempinho livre, lá estava ele fazendo seu moonwalk improvisado. Na hora do recreio depois de todos cantarmos "Meu lanchinho, meu lanchinho...", ele quase sempre levantava, rodopiava, agarrava as partes intímas e gritava "AU!"... Embaraçoso, não? Mas ele se ele era feliz...

E eu, na época que fui escrever meu outro post sobre ele, descobri que era mais fã do que imaginava.
Baixei um The Best Of e tals (já contei isso no outro post?), me peguei sabendo a letra de quase todas e em algumas eu pensava "Nossa, eu AMO essa música!".
Ingenuidade ou não, nunca dei muita bola para todos os boatos, sempre achei o cara um gênio e tinha pena do modo como ele era colocado na mídia.

Michael é daqueles que fez, faz e fará parte da sua vida... você querendo ou não.
Eu quis e vou continuar querendo que faça, porque algumas estrelas nunca se apagam.

Uma das minhas favoritas: http://www.youtube.com/watch?v=4_hz2am90Hk

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

O Mutante que Cuspiu na Cara da Morte


"Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
E BRRRRRRRRUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!"


Ele é considerado um dos maiores músicos de todos os tempos.
Foi o líder criativo daquela que é considerada a maior e mais inovadora banda nacional e um dos fundadores do movimento conhecido como Tropicália.
Ídolo de gente como Tom Zé, João Gordo, Sean Lennon e Kurt Cobain, ele criou a base do rock brasileiro que é usada até hoje, dando-lhe uma identidade própria ao invés de apenas copiar o que vinha de fora.
Cultuado por qualquer pessoa com o mínimo conhecimento musical, teve que conviver com a aura de louco que o assombrava desde a juventude, fortalecida pelo uso descontrolado de ácidos, por inúmeras passagens por hospícios e por uma tentativa desesperada de suicídio (o título do post é de uma notícia de jornal da época).

Contrariando qualquer expectativa popular e qualquer diagnóstico médico, o ex-Mutante Arnaldo Baptista continua fazendo aquilo que sabe fazer de melhor:
Criar.

O documentário Loki - Arnaldo Baptista, com direção de Paulo Henrique Fontenelle e idealizado como um projeto do Canal Brasil, estreiou na última sexta-feira depois de ser aclamado em festivais mundo afora.
O filme conta a tragetória do músico desde a criação de sua primeira banda, a The Thunders, até o show-reunião do grupo Mutantes em Londres, que consolidou de fato o sucesso e o reconhecimento do grupo.
Seu período com o grupo ocupa a maior parte do filme, incluindo a participação no terceiro Festival da Música junto ao Gilberto Gil, chocando boa parte do público ao colocar guitarras elétricas em uma canção de MPB, passando pelo auge criativo da banda, seu relacionamento (e casamento) com Rita Lee e sua fase progressiva, provando que o termo "mutante" é realmente o que melhor o define.
O estigma da loucura sempre atribuído ao líder dos Mutantes é o mais explorado por Loki, mostrando por meio de depoimentos como o do parceiro (e irmão) Sérgio Dias, Lobão, Nelson Motta, Gilberto Gil e vários outros que o músico sempre andou na tênue linha que separa a loucura da genialidade. Se em uma hora ele gravava um dos melhores álbuns da música brasileira (e que, por sua vez, da nome ao filme), em outra ele chamava um ex-companheiro de banda para comandar a nave espacial que estava montando. Se em um momento ele conversava animadamente com um amigo, em outro ele simplesmente ficava incomunicável por várias horas. Se por um lado ele era um rebelde, por outro era de uma sensibilidade ímpar. Sensibilidade essa que era seu maior trunfo e seu maior fardo, que o fazia criar canções sublimes ao mesmo tempo que tornava o peso de viver algo insuportável, levando-o a se jogar do terceiro andar de uma clínica psiquiátrica nos anos 80. Depois de passar meses em coma com diversas sequelas cerebrais e ouvindo de seus médicos que jamais conseguiria criar novamente, Arnaldo superou a morte e, antes de voltar à música, encontrou abrigo na pintura (em uma sacada genial, durante todo o filme o músico pinta uma espécie de quadro autobiográfico).

Ainda assim, apesar de aplaudido em todos os festivais pelos quais passou, o documentário é bem aquém do que poderia ser feito sobre a vida de Arnaldo. Histórias curiosas como a que conta que, em uma certa época de sua vida, Arnaldo apenas se comunicava em um idioma que ele mesmo tinha criado, acabaram ficando de fora do filme. Além disso, problemas com áudio e momentos sub-ultilizados da vida do músico deixam a impressão que o filme poderia ser bem melhor. Inútil tentar pensar em por que o documentário, que insiste no ponto que os Mutantes moldaram uma identidade nacional no rock, coloca várias versões EM INGLÊS das músicas, ao invés das versões originais em português.

Independente disso, Loki - Arnaldo Baptista é obrigatório para qualquer um que deseja entender a influência dos Mutantes na música atual.
Algumas passagens, como o show de retorno dos Mutantes, conseguem deixar um nó na garganta. Em outras, é impossivel não se orgulhar, como por exemplo quando um fã reconhece o artista nas ruas de Londres, ou quando o músico Devendra Banhart afirma que os Mutantes são melhores que os Beatles.
Impossível não sentir uma ponta de vingança contra aqueles que ainda subestimam a MPB.

No final, depois de tantos debates sobre a sanidade de Arnaldo Baptista, sobre a saída de Rita Lee dos Mutantes, sobre a influência do LSD no fim da banda, sobre a tentativa de suicídio ou sobre qual o maior grupo musical de todos os tempos... a única certeza que fica é que nós não damos o devido valor aos nossos artistas, achando que a qualidade está apenas naquilo que vem do exterior.

Sem nem ao menos imaginar que um dos artistas mais influentes de todo o mundo é produto brasileiro.


PS: prometo que em breve eu faço um post dedicado exclusivamente aos Mutantes!! está no meu cronograma... =]